Centrão em apuros – As malas e outros objetos pontiagudos

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Centrão em apuros – As malas e outros objetos pontiagudos

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A cúpula da Câmara dos Deputados caiu, mais uma vez, nas malhas da PF. A suspeita é da prática de crime de sonegação e descaminho. A relação incestuosa com as Bets pode ser apenas o fio de um novelo de falcatruas bilionárias. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Por Aldenor Junior 

Alguém disse certa vez que o Brasil não é para iniciantes. De fato, somos um país extraordinário, com um povo belo e único – uma nova Roma – mas, as elites daqui nunca valeram nada. E continuam sendo a erva daninha que solapa a capacidade de termos um presente que não repita as mesmas manchas de um passado colonial.

Os escândalos se sucedem e vão integrando a paisagem. Naturalizam-se e quase ninguém imagina que haverá consequências contra os larápios flagrados em pleno ato. De saque ao erário, à luz do dia, como se não houvesse amanhã.

Vejamos o caso que estampa as capas de praticamente todos os jornais: três deputados da cúpula da Câmara e um senador, próceres mais graduados da Orcrim denominada Centrão, são investigados pela PF, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), suspeitos da prático de crime de sonegação e descaminho. E não são quaisquer parlamentares. Hugo Motta, presidente da Casa e os líderes, professor Luizinho (Progressistas) e Inaldo Bulhões (MDB), além do todo-poderoso Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. Esse quarteto resolveu passar uma semana no paraíso fiscal de Saint Martin, nas Bahamas, viajando em avião de um suspeitíssimo dono de Bet e, ainda, na chegada, em um aeroporto particular em São Paulo, foram flagrados passando seis malas por fora do controle aduaneiro.

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O que de tão importante essas malas carregavam? Dinheiro? Muito provavelmente, pelo menos essa é uma das principais linhas da investigação.

Outro detalhe: tudo isso aconteceu há um ano, quando na Câmara dos Deputados era realizada a CPI das Bets, que, para a surpresa de zero pessoas, terminou em uma malcheirosa pizza.

Celulares voadores

O quarteto de espertalhões do Arenão – formado por partidos que possuem o DNA da última ditadura – porém, está longe de ser exceção. Calcula-se que algumas centenas de parlamentares, por diversos motivos, sejam objeto de investigações criminais. A farra das emendas secretas, pix ou sob qualquer denominação, por exemplo, coleciona provavelmente mais de 100 indiciados, abarrotando as mesas dos ministros do Supremo.

A certeza da imunidade produz uma engrenagem movida a corrupção sistêmica. Isso terá um paradeiro? É a democracia, mesmo limitada e frágil, que está em risco.

Pois bem, não são apenas malas e pacotes suspeitos. Um deputado federal paraense, do MDB para variar, dia desses, foi acordado por policiais federais em seu apartamento funcional em Brasília. O cidadão que ostenta em seu nome político a alcunha de Antônio “Doído”, resolveu arremessar pela janela vários aparelhos celulares, imaginando que isso livraria sua cara. Claro que deu ruim.

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Outro deputado, este líder do PL, o moralista Sóstenes Cavalcante, guardou em um armário em seu flat em Brasília quase meio milhão de reais numa sacola plástica. A PF fez a descoberta e espalhou as fotos da dinheirama. Horas depois, o deputado que também é pastor, tirou da manga uma estória absurda da venda de um imóvel e relatou a falta de tempo para depositar o valor em um banco. Escracho total.

A direita se lambuza no mar de lama da corrupção desde sempre. Seus líderes adoram posar como vestais, mas são bandidos da pior espécie.

Há alguns anos, o slogan pela ética na política frequentava ruas e praças, impulsionado pela juventude. Desde 2013, porém, em uma guerra híbrida muito bem urdida, a luta contra a corrupção foi sequestrada pela extrema direita. O resultado não tardou. O clã Bolsonaro seria impensável fora deste contexto.

Entretanto, no horizonte imediato, exigir que o STF leve a cabo todas as investigações e leve os culpados a barra dos tribunais, impondo punições exemplares, passou a ser condição indispensável à manutenção do nosso combalido Estado de Direito.

Aldenor Junior é jornalista.

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