Entreguismo – Yes, nós temos Silvério dos Reis

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Entreguismo – Yes, nós temos Silvério dos Reis

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Flávio Bolsonaro durante discurso no CPAC – Foto: reprodução/CPAC

Sem renegar sua linhagem, Flávio Bolsonaro rasgou o véu da moderação e se expos por inteiro durante uma conferência de extremistas de direita nos Estados Unidos. Seu discurso não deixa margem a dúvidas: ele é, diante de uma potência estrangeira sem limites, um traidor da Pátria.

Por Aldenor Junior

Joaquim Silvério dos Reis. Todo mundo já ouviu esse nome. É sinônimo de traição e da mais vergonhosa colaboração com o opressor. De próprio punho, esse homem ganancioso não pensou duas vezes em entregar às autoridades coloniais o plano de rebelião que poderia ter feito do Brasil uma nação independente no final do século XVIII. Como resultado direto de seu ato, a revolta foi sufocada com violência.

Silvério não traiu por convicção. Ele queria se dar bem, aumentar sua fortuna e obter privilégios da Coroa. Teria pedido em troca da cabeça de seus contemporâneos nada menos que uma certa quantia em ouro – seriam as trintas moedas de Judas? – um cargo na hierarquia das Minas Gerais, uma mansão (incrível como desde esse tempo a turma do Centrão mantém essa tara por casas de luxo), uma pensão vitalícia (que ninguém é de ferro) e outras regalias. A história não registrou os prêmios foram efetivamente pagos. Contudo, esse triste personagem viveu o resto de seus dias amargurado, como se carregasse na testa a infame marca de traidor.

Outro Joaquim (da Silva Xavier), este um combativo alferes, foi sacrificado em nome da crença que os de cima desde lá alimentam de que é possível deter as revoluções. Do patíbulo como um revolucionário que não renegou seus princípios, Tiradentes ingressou no panteão dos heróis brasileiros.

Hoje, na altura da segunda década do século XXI, um senador da República, que jurou defender a Constituição, tornou-se no mais recente candidato a traidor da Pátria. E, como todo bandido que não se notabiliza pela sagacidade ou pela inteligência incomum, ele se esmera em produzir provas contra si mesmo. E mais ainda: fez tudo isso em um inglês algo macarrônico, para que suas palavras fossem entendidas de pronto pelos que se arvoram donos do mundo e executam nestes dias um plano determinado a nos recolonizar.

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O filho N° 1, Flávio Bolsonaro, neste final de semana, no Texas, ocupou a tribuna de mais um encontro da Conservative Political Action Conference (CPAC), órgão que reúne o que há de mais indecente entre as forças de extrema-direita ao redor do mundo. Como todos assistem, há vários meses ele tenta se conter em um figurino de suposta moderação.

Afinal, diz ser o “Bolsonaro que tomou vacina” e, para espanto geral, chegou até a ensaiar algumas falas de preocupação com a violência endêmica que as mulheres brasileiras sofrem e deu sinais de que não seria tão radical na repulsa que o bolsonarismo expressa contra a pauta LGBTQIA+. Tudo em vão, porque em pouco minutos de fala essa fantasia virou pó.

Vende-Pátria, of couse

Visivelmente empolgado, o pré-candidato do PL desfilou incontáveis asneiras. Não é necessário destacar todo o repertório de barbaridades que ele proferiu a uma plateia de terraplanistas e supremacistas. Basta, entretanto, destacar somente algumas poucas pérolas:

– Jair Bolsonaro é uma espécie de Trump brasileiro (essa é a parte cômica, de verdade), pois as semelhanças entre ambos seriam evidentes (numa insinuação à suposta fraude eleitoral, além dos atentados frustrados que ambos sofreram);

– Se eleito (batam na madeira três vezes), as terras raras brasileiras, que compõem a segunda maior reserva mundial, estariam a serviço do mundo livre (leia-se, recursos estratégicos entregues a uma potência militar estrangeira);

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– Mais uma vez, repetiu-se a ladainha de que o Brasil não combate as facções criminosas PCC e Comando Vermelho, sendo urgente declará-las “organizações narcoterroristas” pelo governo estadunidense, com todas as consequências que um ato dessa magnitude pode causar em termos de ofensa à soberania do país;

– E, para escancarar sua face de quinta-coluna, Flávio apelou por acompanhamento e fiscalização internacional das próximas eleições, reforçando a surrada tese de inconfiabilidade do sistema eleitoral.

O jogo eleitoral se prenuncia brutalmente sujo. Como nunca, talvez. Todos os limites serão ultrapassados para sequestrar o maior país sul-americano e torna-lo satélite da Casa Branca.

O primeiro passo é não deixar que se naturalize esse tipo de crime, como se fosse algo amparado na garantia constitucional da liberdade de expressão. Não, o que Flávio Bolsonaro fez foi crime. Ele conspirou em solo estrangeiro contra a soberania nacional. Ele teceu a narrativa de um golpe continuado, com desfaçatez cristalina, por julgar que vive um clima propício, com o STF fustigado e enfraquecido (por vários pecados de integrantes da Corte) e com o governo precisando sair do corner e retomar a disputa política aberta e frontal.

O jogo está longe de estar jogado. É hora de todo mundo colocar suas cartas na mesa, sem blefes, sem deixar nada sob a manga. Como sabemos, após experiências tão traumáticas quanto recentes, ainda falta entrar em campo o único ator capaz de virar essa partida: o povo sem medo de ocupar ruas e redes, pronto para lutar e vencer a mais importante batalha política em gerações.

Aldenor Junior é jornalista

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