A manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro já produziu a troca de sua banca de advogados, sinalizando que planeja entregar seus sócios nem tão ocultos assim
Por Aldenor Junior
As placas tectônicas em Brasília estão agitadas. Vem por aí um terremoto gigantesco diante da provável delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contralador do Banco Master (sob liquidação) e de uma engenhosa máquina de sugar uma fortuna bilionária dos correntistas, investidores e contribuintes brasileiros.
Caso realmente resolva contar tudo que sabe – e ele sabe muito -, Vorcaro entregará gente graúda de todos os Poderes da República, mas não se trata de um escândalo ecumênico, que pegaria de A a Z no espectro político, como se fosse algo neutro. Longe disso. Se a delação for aceita – e existem muitos critérios para tal, não bastando simplesmente querer delatar para receber benefícios – a bomba que explodirá possui um epicentro bem determinado: o colo luxuoso dos líderes do Centrão e das mais bem situados cabeças do Bolsonarismo – incluindo o Jair, seus filhos e demais apoiadores de primeira hora, como o irrequieto mascote Nikolas Ferreira, flagrado como passageiro vip nos jatinhos dos banqueiros delinquentes, além de braços importantes em igrejas evangélicas fundamentalistas transformadas em lavanderias e instituições bancárias mais que suspeitas.
Manobra diversionista
Grande parte da mídia, com a Globo à frente, trabalha há meses para que o Caso Master se transforme em um escândalo do governo Lula e de alguns ministros do STF. Para isso, manipulam a cobertura para que alguns indícios de malfeitos, sobretudo envolvendo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, polarizem todas as atenções. Protegidos por essa cortina de fumaça, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central durante o nascimento e ascensão do Master, além de outras figuras carimbadas da Faria Lima, acabem passando ilesos.
A questão fundamental vai além da crônica propriamente policial. O Master está longe de ser um caso isolado. Tão importante quanto desvendar todas as camadas da trama criminosa que possibilitou a construção dessa fabulosa pirâmide, é submeter à luz do dia o intricado mecanismo legal que possibilitou que tudo isso acontecesse sem que os órgãos de controle agissem há tempo. Afinal, estamos falando de um rombo que pode alcançar valores superiores a R$ 50 bilhões de reais, o maior da história, nas palavras do ministro Fernando Haddad.
A hora verdade – ou da pós-verdade – está chegando. Que não venha maculada por pactos e compadrios para preservar o andar de cima e, assim, desmoralizar ainda mais o sistema judicial. Como se sabe, somente quem ganha com isso é o extremismo de direita e seu esfarrapado (e desgraçadamente eficiente) discurso de ser contra “tudo que está aí”.
As eleições de outubro se aproximam e com ela enormes riscos. No meio desse redemoinho, muitos demônios ensaiam seu bailado para sequestrar mentes e corações. A hora de exigir o fim da impunidade, mas não permitir que a história se repita como farsa, continua sendo a mais urgente e maior das prioridades do campo democrático e popular.
Aldenor Junior é jornalista.
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