A lógica da máfia e o monstro da lagoa – Por Aldenor Junior

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A lógica da máfia e o monstro da lagoa – Por Aldenor Junior

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Um super acordão, urdido nas sombras, juntou a extrema-direita bolsonarista, o Centrão e parte do STF. O objetivo é uma blindagem mútua e passar pano aos golpistas – Foto: gerada por IA

Por Aldenor Junior

O genial maestro Antônio Carlos Jobim, certa vez, cunhou a frase “O Brasil não é para principiantes”. De fato, nosso país é um caso a ser estudado. Como é possível que sempre e sempre os de cima encontrem formas criativas (ou brutais, não importa) para assegurar seus privilégios ? É o pacto das elites que nos persegue como uma sombra maligna desde os primeiros começos (óbvio, por começo estamos falando daquele infeliz dia em as naus de Cabral, carregadas de homens brutos e suas doenças, acharam de desembarcar nas terras verdejantes da Abya Yala.

Pacto, trama, patranha. O nome que se dê à manobra tem pouca ou nenhuma importância. O fato é que foi feito o acordo para livrar Bolsonaro e seus sequazes. Na mão grande, como se diz, madrugada adentro, na quarta-feira, 10. Quem são os artífices dessa malandragem? O clã Bolsonaro, os cardeais do Centrão, Hugo Motta, Alcolumbre e, pasmem, pelo menos três ministros do STF. Um deles, certamente, foi o decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes, conhecido por suas ligações com o mundo político e com a Faria Lima.

A coisa é mais ou menos assim: eu te protejo, tu me proteges. E segue a falsa. O tal PL da Dosimetria é una excrescência jurídica, além de uma armação evidente para livrar Bolsonaro e os generais golpistas de longos períodos em regime fechado, conforme sentenças ainda quentinhas saídas do forno do Supremo. Fica a máxima: no Brasil, rico (e poderoso) não esquerda cadeia.

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A lógica da máfia

Tudo acaba e começa no vil metal, a dita mola do mundo. O andar de cima não esconde seus elos, muitas vezes absolutamente suspeitos, entre políticos, banqueiros, magistrados e, não raro, aquela turma da pesada que responde pela alcunha de crime organizado. Para tudo continuar dando certo (para esses poucos, sem dúvida), o longo braço da lei precisa alcançar somente um tipo muito específico de criminoso: preto, pobre e favelado. Nada além disso para que a Terra não pare de girar.

Por qualquer ângulo que se veja, não há como achar natural que um ministro do Supremo tenha uma esposa advogada contratada pelo banco Master – um misto de lavanderia com pirâmide financeira às custas do pobre contribuinte – pela bagatela de R$ 3,6 milhões mensais ou R$ 126 milhões caso vigorasse até o final do contrato em 2027? Ou que outro ministro, às vésperas de decidir um pedido da defesa dos donos deste mesmo banco, à época ainda amargando uns poucos dias de cana, não ache nada anormal pegar carona num jatinho de um milionário ligado ao banco…Master?

Lógico que isso é só parte do problema e da herança patrimonialista brasileira. A turma do Centrão já não dorme direito preocupada com a batida da PF no amanhecer de um dia qualquer. Afinal, tudo indica que relações tenebrosas que esse grupo possui com o crime organizado acabará vindo à tona. E acabará na mesa de ministros do STF. Logo, envolver parte do tribunal no acordão virou questão de sobrevivência.

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De quebra, que tal arranjar uma forma de calar e tirar do caminho o barulhento clã Bolsonaro? O que interessa são os votos fidelizados que essa quadrilha consegue ainda deslocar. Tanto melhor se o candidato anti-Lula que possa herdar esses votos seja Tarcísio de Freitas, uma marionete do mercado e de outras tantas bandalheiras dos endinheirados do país.

Só tem um único e decisivo detalhe, capaz de turbar esse baile da Ilha Fiscal: o povo, sim, essa imensa e desprezada massa de assalariados e de tanta gente que vive se seu próprio suor. Como diz a música de Gil e Chico: “Esse silêncio todo me atordoa/Atordoado eu permaneço atento/Na arquibancada pra qualquer momento/Ver emergir o monstro da lagoa”.

Esse “monstro” com a cara de quem se mata de trabalhar para manter a riqueza e o luxo de tão poucos, precisa emergir, gigante, e acabar com a farra desses facínoras.

E a hora, não se pode mais esperar, é agora.

Aldenor Junior é jornalista

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