Eleições – Os anos Helder e o crivo da história

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Eleições – Os anos Helder e o crivo da história

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Após um domínio quase absoluto, o clã Barbalho está de saída, mas deixando na cadeira uma escudeira fiel. É hora de fazer balanço sem as lentes do ilusionismo. Foto: José Cruz/Agência Brasil 

Por Aldenor Junior

Contagem regressiva para a saída do governador Helder Barbalho (MDB), aos 2643 dias de gestão, ou, melhor dizendo, de um verdadeiro império que impôs o controle sobre o estado do Pará numa proporção somente comparável aos governantes indicados pelo regime militar.

Aliás, no 62° aniversário do golpe de 1964 vale a comparação: será que Helder montou, pela via democrática (com todas as aspas que se queira colocar) uma hegemonia tão ou mais efetiva que a dupla de coronéis que ditaram a política nos anos de chumbo por nossas maltratadas terras? Terá ele acumulado maiores poderes que Jarbas Passarinho e Alacid Nunes? A história, velha e implacável senhora, um dia julgará.

Por enquanto, tudo parece se resumir a um clima de euforia e de intensa vassalagem. Poucos se dispõe a escrutinar os feitos e defeitos de uma gestão longeva, que representou a superação formal do período de predomínio tucano (em cinco mandatos sob a liderança de Almir Gabriel e Simão Jatene) e inaugurou uma espécie de reinado onde os laços de sangue com o clã Barbalho e a lealdade canina de um seleto grupo de acólitos parecem ser o elemento determinante e decisivo.

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A propaganda oficial é onipresente e cria uma bolha de marketing que chega a empolgar, seja a multidão submetida ao incessante bombardeio midiático, seja aquela franja de políticos que se satisfazem com as migalhas que, vez por outra, caem da mesa principal.

Porém, há uma eleição no meio do caminho. E, como se admite nos bastidores, estará longe de ser um passeio.

Criador e criatura

A pretendida continuidade desse reinado depende de uma vitória nas urnas e a sucessora, escolhida a dedo, por mais que se esforce, tem um carisma negativo e carregará como um ativo e ao mesmo tempo como um enorme peso a poderosa sombra de seu criador.

Assistindo a tudo, com um certo ar bestificado, o povo do Pará precisa acordar para uma dura realidade: realmente estamos no caminho certo? A vida que é vivida por nove em cada dez paraenses é essa mesma, repleta de carências e agonias, como se se tratasse de uma maldição (estado rico, povo paupérrimo)?

Para enxergar de verdade, antes é necessário limpar as lentes e expurgar o véu da ilusão. Simples, assim, ou continuaremos repetindo teses que são uma agressão à inteligência de quem vive, trabalha e, apesar de tanto esforço, continua marcando passo, refém do atraso e da miséria.

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Um único exemplo (entre tantos): o orçamento do Pará, entre 2018, último ano do PSDB, e 2025, passou de R$ 25,5 bilhões para R$ 48,6 bilhões, alcançando um crescimento de aproximadamente 90,6%. Apesar desse dado, ainda mais somado à violenta elevação do endividamento público – inacreditáveis R$ 90 bilhões -, a gestão Helder/Hana tem a cara de pau de admitir ter inaugurado apenas 25 creches! Ah, mas em seguida, engatam a informação marqueteira segundo a qual outras 100 estariam em construção. Ora, tiveram quase 8 anos e não fizeram, mas pedirão, sem ruborizar o rosto, mais um mandato. E segue a valsa.

A batalha eleitoral ganhará tração após a Páscoa. Engana-se quem imagina a política paraense hermeticamente fechada na polarização entre dois grupos que só conseguem falar a verdade quando se atacam mutuamente. Não, este não será o futuro que a população paraense tanto anseia.

Como se diz no futebol, ninguém ganha de véspera.

Que comecem os jogos!

Aldenor Junior é jornalista. 

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