Será que o prefeito de Ananindeua é o único político paraense enrolado em denúncias de corrupção? Foto: Reprodução
Por Aldenor Júnior
Domingo, 8, horário nobre. No Fantástico, programa da TV Globo de maior audiência em nível nacional, uma longa reportagem expôs, com riqueza de detalhes, mais uma denúncia de malfeitos envolvendo o pré-candidato ao governo do Pará, Dr. Daniel Santos (PSB). Foram intermináveis 11 minutos de forte fuzilaria e o enredo contado é de estarrecer: uma casa de R$ 4 milhões em condomínio de luxo no litoral cearense quitada, mesmo que em parte, por fornecedores da Prefeitura de Ananindeua, segundo provas reunidas pelo Ministério Público do Pará. É a “Vaquinha da corrupção”, como a reportagem batizou o escândalo.
A matéria abre o sétimo círculo do inferno para Daniel, resgatando o fio de um suposto esquema criminoso que teria, em poucos anos, multiplicado a riqueza do político, a tal ponto que o MPE pediu o bloqueio de mais de R$ 130 milhões, entre fazendas, imóveis e aviões. Como se sabe, desde quando rompeu com o grupo de Helder Barbalho, o prefeito reeleito de Ananindeua começou a sofrer ataques diuturnos pela máquina de propaganda do governador e, em pouco tempo, virou o alvo prioritário (e, talvez, único) do trabalho de combate à corrupção por parte dos promotores paraenses.
Qual a resposta de Dr. Daniel? Tudo não passaria de perseguição política. E nada mais esclarece sobre as denúncias, algumas, inclusive, bastante bem fundamentadas com indícios que não podem ser simplesmente carimbados como intrigas ou ataques de fundo eleitoral (muito embora esteja claro as intenções que se escondem por trás do repentino furor investigatório por parte do MPE).
Convenhamos, é uma linha de defesa muito frágil e que, a depender dos desdobramentos do caso, poderá não resistir ao escrutínio público mesmo antes de iniciada oficialmente a campanha eleitoral.
Justiça cega?
Em um estado marcado pelo patrimonialismo e pelo controle férreo de grupos político-familiares tão poderosos, não deixa de chamar atenção que seja o Dr. Daniel o único caso a chamar a atenção da mídia nacional. Isso estimula teorias conspiratórias de todos os quilates. Haveria as digitais do clã Barbalho por trás da matéria da TV Globo? Isso pode até ser verdade, mas não resolve a questão dos elementos factuais trazidos pelas investigações do Ministério Público. Como todo político e ainda mais quando pretende ocupar o mais importante cargo do estado, o pré-candidato do PSB deveria dar explicações e comprovar a legalidade na constituição de seu patrimônio.
O mais dramático é que nessa guerra de versões a verdade pode ser a primeira vítima, não importando o lado que se arvore como bastião da moralidade pública.
O povo paraense, principal vítima de uma estrutura política viciada, deve exigir respostas e, sobretudo, desenvolver senso crítico para não ser presa fácil nas próximas eleições. Caso contrário, assistiremos a uma novela repetida em que se finge mudar para que tudo (na essência) permaneça como está.
A esperança está no fato do espectro político não se resumir ao bloco do MDB versus a frente anti-Barbalho (liderada por Daniel, mas com ramificações que alcança a extrema-direita bolsonarista). Os movimentos sociais e a esquerda popular já se preparam para o embate. Como sempre, os céticos de plantão já anunciam que estamos num beco sem saída. Mas, felizmente, não é assim que a banda tocará em outubro. A construção de um projeto alternativo nunca esteve tão na ordem do dia.
Aldenor Júnior é jornalista.
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