Levantamento exclusivo com 155 parlamentares da 57ª Legislatura, feito com base em dados oficiais da Câmara e em manifestações públicas contra o fim da jornada 6×1, mostra ausências sem justificativa formal em meio ao avanço da proposta no Congresso. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Revista Fórum – Deputados federais que atuam contra o fim da escala 6×1 acumulam 797 faltas não justificadas na Câmara desde o início da atual legislatura, em 1º de fevereiro de 2023. O levantamento exclusivo cruza a assiduidade oficial com o posicionamento de 155 parlamentares, identificados por meio de discursos, votos e articulações políticas contrárias à redução da jornada de trabalho.
Ao todo, esse grupo soma 3.581 ausências no plenário. Desse volume, 2.784 foram abonadas legalmente, enquanto 797 não tiveram qualquer justificativa formal. Os números jogam luz sobre a frequência da base legislativa que se mobiliza para manter a rotina ininterrupta de seis dias de trabalho para a população.
Veja o ranking dos deputados:
Quem mais faltou sem justificativa
Pedro Lupion encabeça o levantamento, com 41 faltas não justificadas. O topo numérico da lista segue com Magda Mofatto (30), Duda Ramos (29), Vicentinho Júnior (28) e Josivaldo JP (27).
O cruzamento de dados, no entanto, também expõe o absenteísmo de figuras de alta projeção nacional. Parlamentares com forte apelo midiático, ex-ministros e lideranças partidárias que se alinham ativamente contra a mudança na escala acumulam ausências sem respaldo regimental. É o caso de Delegado Éder Mauro (19), Marcelo Álvaro Antônio (17), Ricardo Salles (16), Filipe Barros (15), Kim Kataguiri (10), Mario Frias (9) e Gustavo Gayer (8).
O raio-x das presenças evidencia que a baixa assiduidade não é um desvio isolado, mas uma prática pulverizada entre a ala que atua para barrar a pauta trabalhista.
O que entra no ranking
O recorte da apuração não engloba toda a Casa nem se restringe às votações nominais. A metodologia isola os deputados que se posicionaram publicamente contra o fim da escala 6×1 ou que operam nos bastidores para travar a proposta. A partir desse filtro, a reportagem cruzou os nomes com o sistema de presença do Legislativo.
Por que o foco nas 797 faltas
Ausências por missão oficial, licença médica ou luto familiar são prerrogativas do mandato amparadas pelo regimento. O foco da apuração incide estritamente sobre as 797 faltas sem justificativa legal — casos em que não houve qualquer registro formal de motivo para o não comparecimento.
Pelas normas da Câmara, esse tipo de ausência gera corte no salário. Em último caso, o absenteísmo crônico pode levar à perda do mandato por quebra de decoro.
Pressão cresce com avanço da pauta
O levantamento ganha peso no momento em que a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, recoloca a carga horária no centro da agenda em Brasília.
O debate esquentou após o presidente da Casa, Hugo Motta, sinalizar “vontade política” para aprovar o texto. A Fórum tem acompanhado o avanço da matéria: embora a votação na CCJ tenha sido adiada, a presidência já definiu uma data decisiva para a análise.
Contradição exposta
Com o avanço do projeto, os parlamentares que tentam frear a redução da jornada passam a ter a própria assiduidade submetida ao escrutínio público.
Na prática, o cruzamento dos dados revela que a base política mais resistente a afrouxar a carga horária do trabalhador brasileiro é a mesma que, reiteradamente, deixa de comparecer ao Congresso Nacional sem dar explicações.
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