Polícia Civil do Pará prende investigado por violência sexual em Belém e Ananindeua. Foto: PC Pará
O Brasil vive um momento de aumento da violência contra mulheres, segundo a nova edição do relatório “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A pesquisa mostra que diferentes formas de agressão, especialmente insultos, perseguição e violência física, cresceram nos últimos anos, indicando uma escalada preocupante da violência de gênero no país.
Entre os dados mais alarmantes está o crescimento das agressões mais graves. O percentual de mulheres que relataram espancamento ou tentativa de estrangulamento nos últimos 12 meses mais que dobrou desde 2017, atingindo 7,8% em 2025, o maior índice da série histórica.
O levantamento também reforça que os feminicídios raramente acontecem de forma repentina. Segundo a pesquisa, 32,4% das mulheres brasileiras afirmam ter sofrido violência física ou sexual de parceiro ou ex-parceiro ao longo da vida, índice superior à média global estimada pela Organização Mundial da Saúde.
Isso mostra que a violência doméstica costuma se desenvolver ao longo do tempo, com agressões sucessivas que muitas vezes antecedem crimes mais graves.
Interior concentra maior vulnerabilidade
Embora o relatório seja nacional, estados com grande população em municípios pequenos ou médios, como o Pará, enfrentam situação ainda mais crítica. Grande parte das políticas de enfrentamento à violência contra mulheres foi estruturada nas capitais e cidades maiores. Já no interior, muitas mulheres vivem em localidades sem delegacias especializadas, centros de referência ou casas-abrigo.
Esse cenário dificulta o acesso à proteção institucional e faz com que muitas situações de violência permaneçam invisíveis. O relatório destaca que o Brasil construiu nas últimas décadas um marco legal robusto, com instrumentos como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio. No entanto, a principal dificuldade hoje é garantir que essa proteção chegue efetivamente a todas as mulheres, especialmente aquelas que vivem fora dos grandes centros urbanos.
Estados da Amazônia Legal, onde o território é vasto e a rede de serviços é mais dispersa, não são capazes de garantir atendimento, investigação e proteção às vítimas.
Violência psicológica e perseguição também crescem
Além da violência física, o estudo mostra crescimento de outras formas de agressão, que embora muitas vezes naturalizadas, fazem parte da dinâmica de controle e dominação que caracteriza a violência doméstica.
31,4% das mulheres relataram insultos ou humilhações no último ano.
16,1% disseram ter sofrido perseguição ou stalking.
Desafio é transformar leis em proteção real
O principal desafio agora não é criar novas leis, mas garantir a implementação das políticas existentes. Isso inclui ampliar a presença da rede de proteção, fortalecer delegacias especializadas e garantir atendimento psicológico, jurídico e social às vítimas. Sem isso, grande parte da violência continuará acontecendo longe dos registros oficiais, permanecendo invisível até que seja tarde demais.
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