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As eleições para a presidência de Portugal, realizadas neste domingo (8), terminaram com a vitória expressiva do candidato do Partido Socialista, António Seguro, que obteve 66,82% dos votos, o equivalente a 3.482.481 eleitores, derrotando no segundo turno o candidato de extrema-direita André Ventura, do Chega.
Apesar da votação recorde de Seguro no resultado geral, os portugueses residentes no Brasil votaram majoritariamente em Ventura. Grande parte desse eleitorado possui dupla cidadania, brasileira e portuguesa. O candidato de extrema-direita perdeu apenas no consulado de Porto Alegre. Em Belém, registrou sua maior vantagem, com 73,89% dos votos válidos do consulado.
Por que imigrantes apoiam políticas anti-imigração?
Segundo análise das pesquisadoras Denise Cogo e Lucas Zanetti, publicada no Latinoamérica21 e reproduzida pelo jornal O Tempo, o apoio de parte de imigrantes a políticas anti-imigração está ligado à construção de uma distinção moral entre “bons” e “maus” migrantes. Nesse enquadramento, imigrantes que se veem como integrados — por terem entrado legalmente no país, trabalharem e não dependerem de políticas sociais — tendem a apoiar o endurecimento das regras como forma de afirmar pertencimento ao país de acolhida e se diferenciar de recém-chegados ou pessoas em situação irregular. O fenômeno tem sido observado em países como Portugal, Estados Unidos e Chile, onde parcelas de diásporas latino-americanas passaram a legitimar agendas de extrema direita, muitas vezes impulsionadas por discursos emocionais e desinformação amplificados pelas redes sociais.
Os autores apontam que desigualdades internas nas comunidades migrantes também ajudam a explicar esse comportamento. Diferenças de classe, raça e acesso a direitos criam hierarquias entre os próprios imigrantes, favorecendo a adesão de grupos mais estáveis a políticas restritivas. Além disso, interesses econômicos — como nichos de mercado ligados à burocracia migratória — e estratégias de alinhamento político e identitário reforçam esse apoio. Para Cogo e Zanetti, o fenômeno revela como o campo migratório contemporâneo é marcado por disputas internas por reconhecimento e privilégios, nas quais alguns imigrantes acabam atuando como legitimadores de políticas excludentes.
Novas regras dificultam migração para Portugal
Uma nova versão da Lei de Estrangeiros de Portugal, sancionada em outubro de 2025, endurece as regras de imigração no país após ajustes exigidos pelo Tribunal Constitucional. Aprovada no Parlamento com apoio da coalizão de centro-direita, do Chega e da Iniciativa Liberal, a medida restringe a concessão de vistos de trabalho a profissionais de alta qualificação, exige que pedidos de residência sejam feitos previamente nos consulados — impedindo que turistas solicitem autorização após a entrada no país — e impõe novas condições ao reagrupamento familiar. A lei também amplia de três para nove meses o prazo de resposta da Agência de Integração de Migrações e Asilo (AIMA) para esses pedidos, mantendo a possibilidade de recurso judicial em casos de demora que comprometam direitos fundamentais.
O texto estabelece ainda um prazo geral de dois anos de residência para solicitar o reagrupamento familiar, com exceções para famílias com filhos menores, cônjuges e trabalhadores altamente qualificados. A renovação do título de residência passa a exigir nova comprovação de meios de subsistência, sem considerar apoios sociais. O governo poderá firmar acordos bilaterais para facilitar vistos em setores essenciais, como agricultura e construção. Já as regras de nacionalidade serão discutidas em legislação específica, mas o Executivo sinalizou a intenção de ampliar o tempo mínimo de residência para obtenção da cidadania. A nova lei afeta diretamente brasileiros, que lideram as estatísticas de vistos de trabalho concedidos por Portugal.
DIÁSPORA PORTUGUESA | Resultados das eleições nos consulados no Brasil
Belém
André Ventura: 73,89%
António Seguro: 26,11%
Belo Horizonte
André Ventura: 57,52%
António Seguro: 42,48%
Brasília
André Ventura: 51,02%
António Seguro: 48,98%
Curitiba
André Ventura: 56,36%
António Seguro: 43,64%
Fortaleza
André Ventura: 64,98%
António Seguro: 35,02%
Porto Alegre
António Seguro: 54,08%
André Ventura: 45,92%
Recife
André Ventura: 60,34%
António Seguro: 39,66%
Rio de Janeiro
André Ventura: 53,66%
António Seguro: 46,34%
São Paulo
André Ventura: 58,58%
António Seguro: 41,42%
Salvador
André Ventura: 51,27%
António Seguro: 48,73%
Com informações do jornal O Tempo (artigo de dezembro de 2025: “Por que imigrantes apoiam políticas anti-imigração?”).
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